A morte de Teori: por que meu chapéu de alumínio está guardado

A morte de Teori: por que meu chapéu de alumínio está guardado

 

Lamento a fatalidade e acredito que está muito cedo para cravar qualquer coisa sobre a queda do avião do Ministro do STF, Teori Zavascki. Entretanto, uma das questões chave que vieram à tona dentro das hipóteses de que ele teria sido assassinado, é que forças que querem abafar/desarticular a Lava Jato se beneficiaram em um suposto assassinato. Discordo dessa perspectiva e nesse texto vou tentar explicar o porquê. 

Teori era apenas um indivíduo dentro de um processo que tem várias instâncias, e que depois será decidido por um colegiado. O poder dele de aceitar denúncia e homologar delação é chave, mas não é crucial. A Lava Jato é uma operação complexa e multifacetada que envolve, enquanto atores principais:

– Ministério Público Federal em Curitiba, sob o comando do Dellagnol

– Ministério Público Federal em Brasília, sob o comando do Janot

– 13ª Vara federal de Curitiba, sob o comando do Sérgio Moro

– O Supremo Tribunal Federal, colegiado com 11 ministros

– Centenas de delatores que querem redução das suas penas

Portanto, há muitos atores que tem interesse no prosseguimento da operação, que são forças políticas e jurídicas, que continuam vivas e atuantes, e que influenciam na pressão social em prol da Lava Jato.

Uma suposta tentativa de apagar Teori seria, a meu ver, uma ideia muito ruim. Se o objetivo for melar e abafar a Lava Jato, o tiro será pela culatra. 

A Lava Jato do STF era mais morosa e estava meio apagada frente à Lava Jato da primeira instância. Agora a Lava Jato do STF não sairá dos holofotes. Qualquer medida mínima que o substituto de Teori tomar, se for “anti-lava jato”, vai causar uma reação imensa e estrondosa de todos os outros atores políticos, da imprensa e da sociedade desconfiada. Por exemplo, se o Teori não homologasse, sei lá, 10 delações das mais de 50 de executivos da Odebrecht seria aceitável dentro de um processo comum. Agora, se o substituto fizer o mesmo, a suspeição contra ele e a força dos outros agentes políticos e sociais em contrário será insuportável.

Pode ser que essa pessoa que o substitua ignore pressões e aja para perdoar todo mundo (levantando suspeições e toda atenção negativa da mídia, do MPF, dos delatores e da população para si), ainda assim, o colegiado pode reverter essas decisões (e ao acreditar que o colegiado manteria decisões de pizza, não teria porque sumir com o Teori em primeiro lugar, bastaria o colegiado fazer essas pizzas com o Teori lá).

Sobre a notícia de que mais de 900 depoimentos teriam seu sigilo retirado e vídeos das denúncias contra todos os atores da classe política viriam à tona em breve e que isso serviria como insumo para matá-lo, também tem meu ceticismo (e neste momento não existe torcida organizada, a deleção da Odebrecht incrimina Temer, Lula, Dilma, Aécio, Alckmin, Serra, Lindbergh, Gleisi, Renan, Collor, Garotinho, Pezão, Paes, e os mais de 200 nomes na lista de propina/caixa). As delações já foram feitas, os vídeos dos delatores comprometendo as grandes figuras e os textos do que eles falaram já existem e já estão disponíveis em arquivos digitais. Com tanta gente envolvida no manuseio desses arquivos, não é o cargo de relator que irá impedir essas informações de virem à público.

Se não vierem de forma oficial, virão vazados para a imprensa e para a internet, como muitos já foram, causando um efeito social muito pior para quem está implicado nas acusações (“Veja aqui as bombas contidas na delação que não queriam de jeito nenhum que você visse” é muito mais tentador do que “Veja aqui a delação homologada pelo Ministro Teori”).

Tudo isso, sem falar que existe a possibilidade do substituto do Teori vir do próprio STF e não de indicação externa, como já defendeu na Band News FM o Ministro Marco Aurélio Melo, sendo que o mais cotado para isso é o decano Celso de Mello, com benção da Carmem Lucia (de acordo com a Veja), que não parece um aliado para melar a Lava Jato.

Por fim, não sou perito e não acho que tenho condições técnicas para falar da queda do avião, entretanto, pelo que já saiu até então, sinceramente a visão de leigo faz parecer uma fatalidade. Perto da hora do pouso começou uma chuva muitíssimo forte em Paraty-RJ. O aeroporto de Paraty não tem infraestrutura para pousos guiados por equipamentos e a visibilidade estava reduzida, quando da queda, o avião caiu na água. Chuva forte + avião pequeno e instável numa altitude perto de pousar são elementos que parecem fazer sentido para uma fatalidade. Sobre queda na água, é um dos tipos de acidentes aéreos com mais chances de encontrar sobreviventes (tanto, que uma moça foi resgatada com vida mas infelizmente não resistiu), portanto, não sei se essas condições parecem combinar com uma questão premeditada.

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